Mercúrio na Veia

" TU ÉS COMO O MERCÚRIO ENTRE MINHAS PÁLPEBRAS.' CLEBSON LEAL
visitors

O pulseirismo do Filippo Cirulli

"Outra vez fica demostrado o que já demostração não precisa, ou seja, aquilo que mais custa a um homem é reconhecer as suas debilidades e confessá-las. Sobretudo quando elas se manifestam fora da época própria, como um fruto que o ramo segura mal porque nasceu demasiado tarde para a estação."

José Saramago em A Caverna

Via MERCURIONAVEIA

"Em minha vida fiz muitas coisas, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar SIDA, ninguém mais pegará.”
Keith Haring (1958-1990)
Artista plastico e ativista estadunidense.
Via MERCURIONAVEIA
mironart:

Animated Keith Haring
by MiRon

"Em minha vida fiz muitas coisas, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar SIDA, ninguém mais pegará.”

Keith Haring (1958-1990)

Artista plastico e ativista estadunidense.

Via MERCURIONAVEIA

mironart:

Animated Keith Haring

by MiRon

nyhistory:

Ready for the big weekend? A superb owl from our collection:
John James Audubon (1785–1851), Northern Saw-whet Owl (Aegolius acadicus), Study for Havell pl. 199, ca. 1833. Watercolor, graphite, pastel, black chalk, gouache, and black ink on paper, laid on card. New-York Historical Society, 1863.17.199. On display in Audubon’s Aviary: Parts Unknown.

nyhistory:

Ready for the big weekend? A superb owl from our collection:

John James Audubon (1785–1851), Northern Saw-whet Owl (Aegolius acadicus), Study for Havell pl. 199, ca. 1833. Watercolor, graphite, pastel, black chalk, gouache, and black ink on paper, laid on card. New-York Historical Society, 1863.17.199. On display in Audubon’s Aviary: Parts Unknown.

Veredas Mortas
Grande Sertão: Veredas
João Guimarães Rosa
Uma parceria das editoras Nova Fronteira e Saraiva
Edição exclusiva, tendo por capa a primeira página do fac-símile da obra, em que Guimarães define o título, riscando de próprio punho a sua primeira proposição datilografada: Veredas mortas. A edição é acompanhada, ainda, por um texto explicitando o trabalho fonético da escrita rosiana e como se estabelece o Acordo ortográfico em João Guimarães Rosa. O livro também apresenta algumas capas nacionais e internacionais do romance que ganhou o mundo.
Fonte: Este Livro
João Guimarães Rosa
Via MERCURIONAVEIA

Veredas Mortas

Grande Sertão: Veredas

João Guimarães Rosa

Uma parceria das editoras Nova Fronteira e Saraiva

Edição exclusiva, tendo por capa a primeira página do fac-símile da obra, em que Guimarães define o título, riscando de próprio punho a sua primeira proposição datilografada: Veredas mortas. A edição é acompanhada, ainda, por um texto explicitando o trabalho fonético da escrita rosiana e como se estabelece o Acordo ortográfico em João Guimarães Rosa. O livro também apresenta algumas capas nacionais e internacionais do romance que ganhou o mundo.

Fonte: Este Livro

João Guimarães Rosa

Via MERCURIONAVEIA

Tarde de Maio
Como esses primitivos que carregam por toda parte omaxilar inferior de seus mortos,assim te levo comigo, tarde de maio,quando, ao rubor dos incêndios que consumiam a terra,outra chama, não perceptível, tão mais devastadora,surdamente lavrava sob meus traços cômicos,e uma a uma, disjecta membra, deixava ainda palpitantese condenadas, no solo ardente, porções de minh’almanunca antes nem nunca mais aferidas em sua nobrezasem fruto.
Mas os primitivos imploram à relíquia saúde e chuva,colheita, fim do inimigo, não sei que portentos.Eu nada te peço a ti, tarde de maio,senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,sinal de derrota que se vai consumindo a ponto deconverter-se em sinal de beleza no rosto de alguémque, precisamente, volve o rosto e passa…Outono é a estação em que ocorrem tais crises,e em maio, tantas vezes, morremos.
Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera,já então espectrais sob o aveludado da casca,trazendo na sombra a aderência das resinas fúnebrescom que nos ungiram, e nas vestes a poeira do carrofúnebre, tarde de maio, em que desaparecemos,sem que ninguém, o amor inclusive, pusesse reparo.
E os que o vissem não saberiam dizer: se era um préstitolutuoso, arrastado, poeirento, ou um desfile carnavalesco.Nem houve testemunha.
Nunca há testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?Se morro de amor, todos o ignorame negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;não está certo de ser amor, há tanto lavou a memóriadas impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,perdida no ar, por que melhor se conserve,uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.
Carlos Drummond de Andrade
Via MERCURIONAVEIA
hadrian6:

Figure Study. 2008.   Bryan Larsen. American b.1975. oil/canvas.
http://hadrian6.tumblr.com

Tarde de Maio

Como esses primitivos que carregam por toda parte o
maxilar inferior de seus mortos,
assim te levo comigo, tarde de maio,
quando, ao rubor dos incêndios que consumiam a terra,
outra chama, não perceptível, tão mais devastadora,
surdamente lavrava sob meus traços cômicos,
e uma a uma, disjecta membra, deixava ainda palpitantes
e condenadas, no solo ardente, porções de minh’alma
nunca antes nem nunca mais aferidas em sua nobreza
sem fruto.

Mas os primitivos imploram à relíquia saúde e chuva,
colheita, fim do inimigo, não sei que portentos.
Eu nada te peço a ti, tarde de maio,
senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,
sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de
converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém
que, precisamente, volve o rosto e passa…
Outono é a estação em que ocorrem tais crises,
e em maio, tantas vezes, morremos.

Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera,
já então espectrais sob o aveludado da casca,
trazendo na sombra a aderência das resinas fúnebres
com que nos ungiram, e nas vestes a poeira do carro
fúnebre, tarde de maio, em que desaparecemos,
sem que ninguém, o amor inclusive, pusesse reparo.

E os que o vissem não saberiam dizer: se era um préstito
lutuoso, arrastado, poeirento, ou um desfile carnavalesco.
Nem houve testemunha.

Nunca há testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.
Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?
Se morro de amor, todos o ignoram
e negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.
O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,
perdida no ar, por que melhor se conserve,
uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.

Carlos Drummond de Andrade

Via MERCURIONAVEIA

hadrian6:

Figure Study. 2008.   Bryan Larsen. American b.1975. oil/canvas.

http://hadrian6.tumblr.com

O amor não resolve nada. O amor é uma coisa pessoal, e alimenta-se do respeito mútuo. Mas isto não transcende para o colectivo. Já andamos há dois mil anos a dizer isso de nos amarmos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudar isso por respeitarmo-nos uns aos outros, para ver se assim tem maior eficácia. Porque o amor não é suficiente.

José Saramago
Via MERCURIONAVEIA
shaddad:

anunciação com santo emidio, 1486, de carlo crivelli

O amor não resolve nada. O amor é uma coisa pessoal, e alimenta-se do respeito mútuo. Mas isto não transcende para o colectivo. Já andamos há dois mil anos a dizer isso de nos amarmos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudar isso por respeitarmo-nos uns aos outros, para ver se assim tem maior eficácia. Porque o amor não é suficiente.

José Saramago

Via MERCURIONAVEIA

shaddad:

anunciação com santo emidio, 1486, de carlo crivelli

A vida é assim, está cheia de palavras que não valem a pena, ou que valeram e já não valem, cada uma que ainda formos dizendo tirará o lugar a outra mais merecedora, que o seria não tanto por si mesma, mas pelas consequências de tê la dito.

José Saramago

in A Caverna

Via MERCURIONAVEIA